segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Três socos na parede da casa de banho. Não costumava agir desta forma, mas ao fim dia, apeteceu.

Socou a parede como quando socava os colegas da escola. Precaveu-se para não machucar demais, e para descarregar devidamente a pressão.

O corpo tem destas coisas, de exprimir de forma violenta o estresse por cada inspiração mal feita, cada noite mal dormida, cada sapo engolido. Por vezes uma alergia, outras gastrite. Uns gritam. Hoje, socou a parede. A parede permaneceu bem. Sem mágoas ou arranhões. A mão um pouco dorida, mas nada permanente. Não deve estar mais dorida do que as costas, que pesam as longas horas de trabalho sem descanso ou os pés, que já não encontram sítio dentro dos sapatos.

"Gostava de ter uma vida leve". Declarou, em voz alta, sentando-se na sanita, sem preocupar-se em levantar a tampa. Se lá estivesse e pudesse interferir, diria sem dó: "Vá, vá capinar, pegar a enxada, que essa cena passa". Não percebo esses tipos, que em meio ao cansaço extremo e inevitável dos grandes projetos, resolvem ter cenas depressivas... Como dizem por aí.. "Não aguenta? Bebe leite..".